A Copa do Mundo de Futebol: uma moeda com duas faces | Visão Carioca
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A Copa do Mundo de Futebol: uma moeda com duas faces

26 dez 2013

copa-do-mundo-2014Faltam menos de seis meses para o evento que vai converter o Brasil num destino turístico por excelência e o vai colocar em foco para os torcedores das seleções internacionais do futebol mundial. O Brasil vai ser o país-anfitrião da Copa do Mundo de Futebol FIFA 2014 nos meses de junho e julho, mas eis a questão: é esta, realmente, uma oportunidade imperdível para o desenvolvimento do país e o aproveitamento do seu magnífico potencial turístico ou uma péssima decisão?

Alguns dos aspetos positivos que poderia trazer a Copa do Mundo de Futebol FIFA 2014 para o Brasil e o turismo do país seriam: novas infraestruturas rodoviárias e ferroviárias (o trem de alta velocidade foi prometido para o 2016), investimentos nos aeroportos e nas doze cidades-sede (Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo) e as regiões respectivas, assim como noutros lugares turísticos do país, criação de emprego, pousadas em Ubatuba, Fortaleza, Recife e benefícios no turismo e setores relacionados e promoção e estabelecimento do Brasil como destino turístico de qualidade.

Mas não tudo que reluz é ouro. Um problema importante é que a Copa do Mundo é um evento pontual, portanto, o novo emprego também vai ser pontual (uma das principais disfunções do turismo de eventos), e surge a dúvida: vão só tirar proveito do evento alguns setores da sociedade e durante um tempo determinado? Os maiores investimentos foram parar aos estádios e não às cidades, e especialmente não foram empregados para a melhora das áreas mais necessitadas. O investimento tem sido bilionário e as despesas de publicidade e as visitas institucionais das autoridades brasileiras acarretam uma publicidade global aparentemente gratuita que não tem sido positivamente aceita na sociedade brasileira, porque o preço desta Copa do Mundo é muito elevado para o povo brasileiro, não só em dinheiro como na imagem de esbanjamento político que estão a perceber as camadas mais necessitadas da sociedade. Quantas necessidades sociais prioritárias tem o Brasil e quantos centros históricos que precisavam de serem remodelados antes que os estádios, quanta dívida vai ficar das remodelações dos estádios e qual vai ser o custo do mantimento?

As novas tecnologias e a comunicação global oferecem muitas facilidades e oportunidades para a transmissão das mensagens publicitárias, mas também são mais difíceis de controlar à vontade e possuem uma liberdade de comunicação que tristemente não sempre existe nos meios tradicionais e convencionais. Por isso, a imagem negativa não foi só interna, e do país não só saiu o bom (a beleza das nossas paisagens naturais, a cordialidade do povo brasileiro, o formoso multiculturalismo do país, o atendimento e a limpeza impecáveis dos nossos hotéis e pousadas…), como também o ruim: os problemas internos do país (corrupção, desigualdade e descontentamento social, a “limpeza das favelas” e os polêmicos planos de reurbanização e demolição, a elaboração e administração dos orçamentos…

Eu ainda tenho no ouvido a canção Que pais é esse do Legião Urbana, cantada há uns anos por Dinho Ouro Preto na Esplanada dos Ministérios de Brasília. Agora só resta esperar que a cultura, o povo e as paisagens brasileiras consigam que os turistas que assistam a Copa do Mundo desde os ecrãs das televisões de todo o mundo se sintam atraídos pelo charme do Brasil e decidam apostar no nosso país como destino turístico com futuro.

Este é um artigo patrocinado.

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